A Evaldo, a vocês

Passei dias refletindo sobre a partida de Evaldo Calcagno deste plano terrestre, e em especial procurando uma palavra que o definisse, desde que sua sobrinha Isabella me procurou e pediu uma mensagem para encerrar as atividades de seu portal – que ficará aqui, intacto, como um memorial virtual de sua obra. É difícil encontrar a que defina um ser tão sutil. Escreveria muitas, diante de suas qualidades, mas lembrei-me de Perspicaz. Evaldo sempre foi um homem inteligente, sensato, sensível, com visão – e em sua humildade cotidiana guardava para si estas virtudes, embora as expusesse muito bem, e com elegância, em seus textos – curtinhos ou não, todavia notadamente perspicazes – nas colunas que escreveu na imprensa muriaeense por décadas.

E com toda sua discrição, não deixou de ser feliz, demonstrava esse entusiamo quando dos eventos sociais que prestigiava – e para os quais emprestava o seu prestígio, conquistado com muito trabalho. Nunca o vi reclamar de nada, apesar de suas limitações físicas; foi um anjo correto e gentil com todos. Conviver com ele, nas poucas oportunidades presenciais que essa vida nos permitiu, durante 25 anos de amizade, foi um aprendizado. Ele me notou jornalista iniciante, e me citou na famosa Boulevard, quando publiquei minhas primeiras crônicas na Gazeta de Muriaé. Foi um grande incentivador de meu pequeno trabalho. Nunca esqueci o quão foi generoso comigo, e com tantos outros.

Em suas atitudes, em seu silêncio, em seu tom sarcástico de lidar com situações da vida e episódios, aprendi com Evaldo em ser mais atento aos outros. Ele sempre fez questão de levar um gesto de caridade e amor para o próximo, apesar das suas dificuldades.

Evaldo foi o maior colunista social que Muriaé já teve. Muitos de vocês sabem o quanto era bom celebrar citações em suas páginas, fotos de eventos que participamos nos clubes, carnavais e desfiles de moda; jantares de gala ou confraternizações entre amigos e famílias; viagens pelo Brasil e o mundo.. Era como se ele estivesse conosco, em alma, comemorando tudo, torcendo pela beleza dos momentos bons da vida. E sabia como transpor esse sentimento nas suas páginas – impressas e, ultimanente, no seu portal na internet. Foi um bon vivant em nossas vidas. Um brinde a você, querido amigo.

Ele partiu, sentimos todos a tristeza profunda de uma página vazia em nosso cotidiano, como capítulo a ser escrito – mas não temos suas mãos, seu olhar aguçado. Choramos pela falta que ele nos fará, com seu habitual e inesquecíveil sorriso que nos marcou. Mas ele ficou.

Porque no fim, o que fica é o que você foi e fez.

Leandro Mazzini é natural de Muriaé e jornalista

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