Das passarelas de Paris

Uma tendência que se confirma na Semana de Modas de Paris 2019\20 é que as passarelas estão deixando os ambientes fechados e ganhando locais abertos, levando uma mensagem, sempre engajada, ao público do mundo inteiro.

Na Maison Dior, o local da apresentação de seus modelos, foi o Hipódromo de Longchamp, onde montaram um “jardim inclusivo”, em colaboração com o Coloco, coletivo de botânicos, jardineiros e paisagistas urbanos. As 164 árvores, que compuseram o local, serão replantadas em quatro locais da capital francesa e nos arredores para reforçar as áreas arborizadas. O espaço foi concebido para lembrar a necessidade de diversidade de plantas, como a resposta às mudanças climática. É a moda, uma da indústria a mais poluentes do mundo, tentando dar o seu recado, enquanto a Amazônia e outras reservas naturais queimam no Brasil.

Já a Maison Chanel, voltou aos jardins do Grand Palais, para criar o cenário, que reproduzia os encantadores telhados cinzentos, por causa do zinco, da capital francesa. O interessante dessa tendência é que ela gera um leque para a mão de obra de profissionais, do trabalho de cenografia, usados nos estúdios de cinema e televisão. Ir a Paris e não admirar seus telhados é como deixar de admirar também a Torre Eiffel.

E, já que falamos na Eiffel e cartões postais, foi lá, nos Jardins do Trocadéro, com vista para a Torre, que outra grife famozérrima, a Yves Saint Laurent, cravou sua passarela de água. O pôr do sol e palmeiras gigantes pintadas de branco, refletiam em uma piscina infinita, por onde os modelos desfilavam.

Vamos fechar com a passarela, da nova grife Ralph & Russo: uma faixa branca de 90 metros, instalada nos jardins da embaixada britânica em Paris. Um toque político em tempos de “coletes amarelos”, que tem invadindo as ruas da cidade, protestando, contra a progressão dos impostos e as reformas fiscais e sociais propostas pelo governo do presidente francês Emmanuel Macron, que impactariam diretamente as classes trabalhadoras e médias, já bastante afetadas pela redução do poder de compra e pelo aumento do custo de vida.

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